30 de out de 2016

luke cage - netflix | série de tv


Eu começo essa resenha já dizendo que a se a série teve algum mérito é que me viciou em uma música que deve ser a parada mais foda que já ouvi nos últimos anos, então pode acreditar que estou escrevendo esse texto ouvindo repetidamente essa canção.


Luke Cage, incrivelmente era a única transposição de quadrinhos para tela que eu esperava alguma fidelidade aos gibis, não em enredo, mas sim em atmosfera. As histórias do Powerman tinham uma cultura negra muito forte, daquelas que gente aqui no Brasil não entende muito, porém nos EUA é tão poderosa que se vê uma clara distinção entre "programas de branco" e "programas de negros", sendo assim nesse ponto a nova série do Netflix me decepcionou.



A cultura negra no show é bem marginalizada (ba dum tss), sendo incorporada apenas nas apresentações musicais em Harlem's Paradise ou quando um personagem cita que deve proteger "os negros de Harlem". Simplesmente assim! Do nada, pois não é apresentado nenhum tipo de demérito em ser negro no programa. Não tem uma exploração racial, preconceito ou sequer existe gente passando fome ou esquecida pelo governo. Harlem é um bairro normal habitado majoritariamente por negros, apenas isso.

De todas as séries da Marvel criadas pela Netflix, essa é a mais fraca sem dúvida. Ela tem um péssimo ritmo com narrativas bem longas e cansativas. Fazer maratona dela pra muita gente foi sofrido pois os episódios eram muito carregados. A dosagem entre texto/ação foi bem mal feita sem contar que a pancadaria era muito simples, com bandidos metralhando o negão e ele andando linda e bela enquanto as balas apenas esburacam seu moletom. (um parênteses aqui é que quando eu era criança e furava uma camisa, mamãe Jota me perguntava se eu tinha ido à guerra. Queria saber se a mãe do Cage perguntaria a mesma coisa ao ver o moletom perfurado de azeitonas).




A trama tava boa até metade da temporada, sendo o vilão Boca de Algodão uma figura bem carismática e conduzindo o arco sozinho até ali. Nem o próprio Luke Cage me prendeu durante essa temporada como o Cornell Stokes, por isso mesmo faz sentido a série ter pedido o rumo quando o algodãozinho morreu. Vale colocar aqui uma coisa interessante que foi a mudança de narrativa nessa produção. Normalmente eu vejo o vilão super poderoso de alguma maneira e o herói tentando achar maneiras de vencê-lo, contudo aqui era exatamente o contrário: Luke era a força destrutiva e Cornell estava sempre encurralado pensando em como derrotá-lo.

Uma oportunidade ali foi perdida de dar uma grande diferenciada. Em certos momentos eu estava sim torcendo para o Stokes, pois era tão óbvia a vitória do Cage que eu tava acreditando que a série ia me mostrar algo novo e diferente, como o momento em que Cornell dá uma virada de jogo e consegue se sobrepor a um adversário notóriamente superior. Infelizmente isso não aconteceu e o criminoso morre pelas mãos da sua prima o que foi a pior coisa que aconteceu, gerando uma cadeia de eventos horríveis.




Depois disso surge Kid Cascavel com sua vingança tirada da bunda (até então a gente não tem nenhuma menção a isso e de repente o cara tá obcecado em matar o pegador de Jessica Jones a ponto de fazer isso no meio da rua mesmo). A Miriah parece ascender para o posto de Senhora do Crime e eu achei que "o bicho ia pegar", contudo ela se mostra ainda pior que seu antecessor com a "ajuda" inútil do ex-companheiro do Cornell. E assim vai metade da temporada com Kid Cascavel lunático matando geral e perseguindo o Luke; Mariah e Shades fazem nada direito e no ultimo episódio tempos a briga final mais sem graça do mundo no meio da rua contra o vilão vestido de técnico de TV a cabo...




Ainda assim eu não achei a série um lixo total. Só achei que podia ser muito melhor... Ou menor.